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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fazenda inicia projeto para custear setor com dinheiro oriundo dos royalties do petróleo.

Informado de que no momento não tem condições de aprovar no Congresso um novo imposto para a saúde, o governo estuda como alternativa para o financiamento do setor o uso de royalties do petróleo a ser extraído do pré-sal.

A ideia é que uma determinada quantia do dinheiro dos royalties entre no fundo do pré-sal e depois seja devolvido aos governos dos Estados para o financiamento à saúde.

O valor da parte dos royalties que será destinado à saúde dependerá de cálculos a serem feitos pela União e Estados e da negociação a ser conduzida com os governadores. A previsão é de que serão necessários R$ 30 bilhões anuais a mais com a regulamentação dos recursos para a saúde por parte da União,

Estados e municípios, que deverá ser votada pela Câmara no dia 28. Como o projeto já passou pelo Senado e sofreu modificações, deverá voltar à Casa de origem. Mas o governo tem consciência de que não terá mais condição de impedir a votação do projeto, conhecido por Emenda 29.

O jeito, então, é correr atrás de fontes de custeio. E a alternativa do momento é o uso de parte dos royalties. O ministro Guido Mantega (Fazenda) está ouvindo as propostas dos governadores para o financiamento da saúde. "É possível, sim, construir uma saída com os royalties do pré-sal para a saúde", informou ao Estado a assessoria do Ministério da Fazenda. "Estamos discutindo e construindo o consenso", completou a assessoria.

O governo havia cogitado algumas outras alternativas para encontrar o dinheiro para a saúde: aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os cigarros; cobrança de uma parte dos lucros da jogatina em caso de aprovação do projeto que regulamenta os bingos, imposto sobre grandes fortunas e aumento no imposto do seguro dos carros (DPVAT).

Mas desistiu de todas, por considerá-las de difícil execução.

Derrota. No Palácio do Planalto existe a certeza de que o Congresso está preparando um troco para o governo, tendo várias razões para isso. Em primeiro lugar, o atraso do governo na liberação do dinheiro das emendas parlamentares; em segundo, o descontentamento de partidos, como o PR, que perdeu o Ministério dos Transportes e os órgãos agregados a ele e ainda levou e ficou carimbado sob a suspeita de estar envolvido em desvios de dinheiro; em terceiro, as pequenas rebeliões dentro do PMDB, lideradas na Câmara pelos deputados Eduardo Cunha (RJ) e Danilo Forte (CE), e, no Senado, por Jarbas Vasconcelos (PE).

Como existem vários projetos que estão em exame pelo Congresso, e cada um reserva uma armadilha maior para o governo, a presidente Dilma Rousseff decidiu aceitar uma "derrota" na votação da Emenda 29, considerada a menos perigosa para os cofres públicos e para o rigor fiscal.

Outros, como o que dá aumento generalizado às polícias do País (PEC 300) ou o que reajusta os salários do Judiciário são tidos como inaceitáveis num momento de crise mundial crescente, com possibilidades de atingir o Brasil.

A aprovação da Emenda 29 daria ainda aos parlamentares argumentos para que eles possam dizer em suas bases eleitorais que aumentaram os recursos para a saúde. Isso dá votos.

A presidente Dilma sabe ainda que os gastos com a saúde, que aumentarão com a aprovação da Emenda 29 (Estados terão de destinar 12% para o setor, municípios 15% e a União 7%), vão cair no colo do governo federal. E que, uma vez que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a distribuição dos royalties do petróleo para os Estados não-produtores, acabará tendo de encontrar um jeito de compensá-los.

Pressa. Dilma determinou ao ministro Guido Mantega que tenha pressa em fechar as negociações, porque os prazos no enfrentamento com o Congresso estão ficando curtos. A Emenda 29 - que o governo considera perdida - será votada pela Câmara no dia 28 deste mês. No dia 5 de outubro o Congresso - Senado e Câmara reunidos, mas em votação bicameral - deverá apreciar o veto à distribuição de recursos dos royalties do pré-sal aos Estados não-produtores.

A avaliação é de que no momento o veto cairá. São dois os motivos para que a presidente Dilma Rousseff tenha essa certeza. Os parlamentares já votaram e aprovaram a distribuição dos recursos para todos, o que obrigara Lula a fazer o veto.

Além disso, os congressistas que pertencem a Estados não-produtores dão de goleada em número de votos nos eleitos pelos produtores. Como a questão não obedece a uma orientação partidária, não há veto que resista à avalanche de votos prevista.

Acompanhe como foi a agendo do investidor desta quinta-feira.

No Brasil sai o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

O Banco Central publica a Ata da última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) na qual se discute os fatores que influenciaram a redução da taxa de juros em 0,25% ao ano e perspectivas econômicas para o futuro próximo.

Nos Estados Unidos o Departamento do Comércio divulga a Balança Comercial.

O Departamento do Trabalho divulga os Pedidos de Seguro-Desemprego semanal.

O Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo.

O FED (banco central norte-americano) divulga o nível do Crédito ao Consumidor.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Explicamos como esta a Taxa Selic e o lobby dos juros altos no Brasil.

Para os caros leitores do site Economia Nacional e Mundial, o artigo de hoje irá tratar de um assunto bastante polêmico: os juros altos no Brasil e a quem eles interessam.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), para surpresa de boa parte dos analistas e mídia especializada, a taxa básica de juros (também conhecida como Taxa Selic) foi reduzida em 0,50 ponto percentual, saindo de 12,5% para 12% ao ano.

A surpresa geral se deu pelo discurso tradicional de que a inflação está fora do centro da meta – a visão era a de que a manutenção dos juros mais altos seria indispensável para que os preços pudessem recuar.

O discurso do mercado seguiu feroz, especialmente no sentido de considerar a baixa dos juros como interferência da equipe econômica do governo na chamada independência do Banco Central.

Hiperinflação: uma década de dificuldade.

Convido você a rever um pouco da história dos juros e da inflação. Todo brasileiro com pouco mais de 30 anos deve se recordar de um dos períodos mais tristes de nossa história.

A década de 80 e seus diversos planos econômicos podem ser traduzidos como um período de hiperinflação, desemprego e falta de esperanças. O Brasil era refém dos altos preços e da pouca competitividade de sua indústria.

Em 27 de fevereiro de 1994, com a publicação no Diário Oficial da medida provisória número 434 - MP 434/94 -, teve inicio o Plano Real, um marco divisor desse triste período e um dos alicerces mais importantes para a caminhada rumo à estabilização econômica.

Metas de inflação, o poder supremo do Banco Central.

Em Junho de 1999, após um período de crises financeiras, o Brasil adotou o regime de metas de inflação como forma de ancorar a subida dos preços, tendo o Banco Central a responsabilidade de conduzir todos os esforços (monetários e fiscais) para cumprir tais metas.

Os anos foram passando e a inflação foi, na maior parte das vezes, obedecendo ora o topo da meta de inflação definida para o período, ora o centro da meta.

De 1994 para cá, a taxa de juros no Brasil atingiu, em seu pico, inacreditáveis 45% ao ano. É verdade que, se observado o gráfico de todo o período, saímos de números expressivos para uma queda também significativa.

Brasil, a maior taxa de juros do mundo.

A queda na Taxa Selic é importante, mas tem que sinalizar uma tendência de baixa. A grande pergunta (e o ponto principal desse artigo) que fica é: há necessidade de juros tão altos? Ou ainda: quais os reais motivos que nos fazem o país com maior taxa de juros do mundo?

Mesmo após a contenção da inflação, o Brasil passou por alguns períodos de pico inflacionário. As commodities aumentavam de preços, os serviços ficavam mais caros e a primeira ação era o aumento das taxas de juros para conter o consumo e esfriar a economia. Parece que os juros são a única arma para “segurar” a economia. Será?

Durante esse tempo, o discurso era de que esse expediente se justificava porque o país tinha problemas de infraestrutura – e por isso nossos produtos e serviços eram caros, mesmo sem ter grande qualidade.

O que dizer dos crescentes gastos com a máquina pública, razão também de grande influência na economia?

Com o passar dos anos, a realidade dos juros altos presenteou muitos investidores com altas taxas de retorno sobre seus investimentos em renda fixa, especialmente nos títulos públicos. Do lado do país, presenciamos a dívida pública crescer cada vez mais, o que, aos poucos, foi se tornando um dos nossos grandes problemas.

A independência do Banco Central e os oito anos de Henrique Meirelles.

Durante os dois mandatos do Presidente Lula, quando o engenheiro civil Henrique Meirelles esteve à frente do Banco Central, a política econômica seguiu a linha do expediente conservador, ou seja, cada solavanco inflacionário vinha acompanhado de uma martelada de juros.

Mas, se os nossos juros já eram os maiores do mundo, por que a necessidade de aumentá-los ainda mais? Ficava claro que o remédio dos juros atacava o efeito e não a verdadeira causa do problema.

O mais triste é que ninguém parecia disposto a enfrentar, de fato, os verdadeiros problemas, mesmo sendo as soluções de conhecimento geral.

O artigo "Por que taxa de juros tão alta e um crescimento tão baixo?", do Prof. Vladimir K. Teles, é muito interessante. Se compararmos os países que cresceram tanto ou mais do que o Brasil nos últimos anos, vamos nos surpreender ainda mais.

O discurso dos economistas (ou seriam “mercadistas”?) perde ainda mais o sentido:

  • A China, por exemplo, está com os juros em 4,9% ao ano e o crescimento médio do PIB chinês nos últimos anos ficou próximo de 10%. Mas a China é um caso a parte, dirão muitos;
  • Outro bom exemplo, a Coréia do Sul tem taxa de juros de 3,25% ao ano;
  • Mesmo Cingapura, que possui dados pouco confiáveis, tem taxa de juros de 6% ao ano.

O lobby dos juros altos.

O que parece existir é culto à política de juros altos, quando ela não garante, de forma inteligente e sustentável, inflação baixa.

A necessidade de manutenção efetiva de controle dos gastos públicos e as reformas fiscal e tributária, itens que poderiam nos colocar em outro patamar, são decisões adiadas e que não surgem na pauta econômica do país.

Esse discurso, ou lobby para que os juros se mantenham altos, não se justifica mais. Desde 1998, o país apresenta sucessivos superávits primários (atualmente conseguimos economizar 4% do PIB para pagamento dos juros da dívida), mas mesmo com toda essa economia os juros (da dívida) continuam sendo enormes e a dívida pública chega a patamares alarmantes.

O fato é que o governo precisa conter despesas e gastar melhor. Nós, cidadãos, precisamos encarar a realidade de que os juros altos são vilões tão danosos para o crescimento e desenvolvimento sustentável da nação quanto a inflação. O Brasil não pode mais concordar em ser o país com maior taxa de juros do mundo.

É hora de mudar e encontrar o verdadeiro equilíbrio entre o necessário crescimento e a inflação, mas com decisões duras, talvez impopulares e de longo prazo.

Para usar um jargão bem batido, será que haverá “vontade política” para fazer o que é preciso?


A LG Eletronics e o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté negociam a recontratação dos 200 trabalhadores demitidos nesta terça-feira.

A LG Eletronics e o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté negociam a recontratação dos 200 trabalhadores demitidos nesta terça-feira, na unidade de celulares da fábrica localizada no Vale do Paraíba.

Segundo o presidente do Sindicato, Isaac do Carmo, a empresa estuda a proposta de que, em caso de contratações futuras, os demitidos sejam priorizados e recontratados.

Esta teria sido uma das questões discutidas na segunda-feira, antes do anúncio das demissões. "Conseguimos evitar um corte ainda maior e esse compromisso da empresa , de priorizar estas pessoas atingidas pelas demissões desta semana em caso de recontratação", disse Carmo.

Segundo ele, pelo menos 300 demissões teriam sido revertidas durante a negociação com a empresa.

A LG Eletronics tem 2,4 mil funcionários em sua unidade de Taubaté, onde fabrica também monitores. No setor de celulares, a produção mensal é de cerca de 700 mil aparelhos.

A empresa alega estar com estoque de 1 milhão de aparelhos, o que exige uma readequação da produção.

"A LG trabalha com um produto cujo mercado pode oscilar, mas estamos próximos do final do ano, quando o consumo deve aumentar novamente", disse Carmo. Entre 2007 e 2008, os trabalhadores entraram em férias coletivas por três vezes, com o objetivo de reajustar a produção de monitores de acordo com a demanda do mercado.

Autopeças

Os trabalhadores das empresas do setor de autopeças localizadas em Taubaté realizam assembléia no próximo domingo, dia 11 de setembro para discutir a proposta de reajuste salarial da bancada patronal para a Campanha Salarial 2011.

Segundo Carmo, a proposta inicial de 8,3% não contempla a expectativa da categoria e por isso nem foi submetida à apreciação dos trabalhadores.

Sete produtos foram incluídos para reduzir ou aumentar o Imposto de importação do produto que vem de fora.

Sete produtos foram incluídos na noite de hoje (7) na lista de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC), pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Entre os produtos incluídos, estão aparelhos de ar-condicionado, bicicletas comuns e pneus de bicicleta.

A inclusão na lista de exceção pode ser feita para reduzir ou aumentar o Imposto de importação do produto que vem de fora. Desta vez, os impostos de todos os produtos incluídos na lista foram elevados, conforme destacou o secretário executivo da Camex, Emílio Garófalo.

“Com a valorização cambial e a crise econômica, houve aumento de importações. Isso traz a necessidade de fazer essa elevação temporária das alíquotas. Isso não é garantia que as alíquotas ficarão a esse nível”, disse. A revisão da lista de exceção ocorre a cada seis meses.

Para a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a medida mostra a preocupação do governo em assegurar a competitividade internacional. “A TEC brasileira é geralmente utilizada para reduzir o Imposto de Importação.

Hoje, foi utilizada para aumentar. Isso é reflexo da preocupação do governo com importações crescentes e setores específicos da indústria afetados por essa importação”, acrescentou.

O Imposto de importação das bicicletas passou de 20% para 35%. As bicicletas de competição ficam isentas da nova alíquota. No caso dos aparelhos de ar-condicionado, a alíquota também foi fixada em 35%, antes era 18%.

Também passa a ser taxada em 35% a importação de pneus de borracha de bicicletas, porcelanatos, partes referentes a unidades condensadoras ou evaporadoras para fabricação de aparelhos de ar-condicionado, barcos a motor e rodas e eixos ferroviários.

A varejista online chinesa Jingdong Mall está pronta para começar um processo de abertura de capital de US$ 5 bilhões.

A varejista online chinesa Jingdong Mall está pronta para começar um processo de abertura de capital na próxima semana e que pode representar um desafio para o apetite de investidores nos Estados Unidos por ações de companhias chinesas.

A empresa, também conhecida como 360buy.com, planeja levantar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões em uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), possivelmente na primeira metade de 2012, segundo o IRF, um serviço de notícias da Thomson Reuters.

Um IPO deste tamanho superaria o do Google em 2004, quando a empresa levantou US$ 1,9 bilhão na maior oferta pública de ações de uma empresa de Internet já realizado nos Estados Unidos, segundo dados da Thomson Reuters.

A Jingdong deve realizar um roadshow na próxima semana em Pequim para escolher agentes subscritores para o IPO, informou o IFR nesta quarta-feira, citando fontes familiares com o negócio.

Uma das fontes disse que o IPO pode ultrapassar US$ 5 bilhões, dependendo de quando for realizada.

A notícia do IPO da Jingdong Mall vem em meio a dificuldades para o mercado norte-americano de IPOs, que tem derrapado por causa da alta volatilidade desencadeada pela crise da dívida na Europa e pela fraca recuperação economica norte-americana. Diversos IPOs já foram cancelados mês passado.

A presidente Dilma Rousseff que o País passará por um grande periodo de estagnação.

A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que a atual crise econômica internacional é mais grave que a de 2008, que os países desenvolvidos se preparam para um longo período de estagnação, mas que os efeitos não devem amedrontar os brasileiros, que devem enfrentar as turbulências consumindo.

"A crise atual é mais complexa que aquela de 2008, da qual nós nos saímos muito bem. Os países ricos se preparam para um longo período de estagnação e até de recessão. Mas a crise não nos ameaça fortemente", disse Dilma em seu pronunciamento de 7 de setembro, transmitido em rádio e TV na noite desta terça-feira.

Em uma fala de cerca de 11 minutos, Dilma focou em economia e na atual crise mundial. Destacou, como em seus recentes discursos, a capacidade do Brasil de enfrentar as recentes turbulências, reafirmou que o governo está atento e pediu aos brasileiros que sigam consumindo.

"Estaremos bem atentos para evitar qualquer efeito mais grave da crise internacional. Estar atento não significa ficar com medo, ou ficar paralisado. Ao contrário, vamos continuar trabalhando , consumindo, abrindo e ampliando empresas, plantando e colhendo os frutos da nossa agricultura."

Dilma citou ainda que a "estabilidade da economia está garantida", que a "inflação está sob controle" --apesar do acumulado nos últimos 12 meses ter superado o teto da meta, de 6,5 por cento-- e que "os juros voltaram a baixar", numa referência ao corte da taxa básica anunciada pelo Banco Central na semana passada.

Ainda sobre a crise, Dilma reafirmou que a defesa e a ampliação do mercado interno são suas principais armas do país para reagir aos efeitos externos.

"Quero deixar bem claro que meu governo não irá permitir ataques às nossas indústrias e aos nossos empregos. Não vai permitir jamais que artigos estrangeiros venham concorrer de forma desleal com os nossos produtos."

Por fim, numa rápida menção às denúncias de corrupção que atingem seu governo, disse que o Brasil é "um país que com malfeito não se acomplicia jamais e que tem a defesa da moralidade no combate à corrupção uma ação permanente e inquebrantável".


Entenda como esta nossa Economia Nacional e Mundial.

A recente globalização das trocas comerciais e dos serviços a nível global veio revelar as fragilidades do modelo de desenvolvimento dos países e das regiões, especialmente os mais periféricos e/ou de sub-desenvolvimento relativo, demonstrando a sua incapacidade para promover o desenvolvimento efectivo das regiões em questão, agora cada vez mais sujeitas à competição com outras regiões na captação dos recursos “motores” desses investimentos.

Este tema tem vindo a ser objecto de uma profunda e regular investigação realizada no âmbito da SaeR ao longo dos anos, nomeadamente centrada sobre os modelos económicos teóricos adequados à instalação de mecanismos saudáveis de desenvolvimento económico das regiões e países e, igualmente, a ser objecto da produção de diversos projectos de desenvolvimento, tanto de carácter regional como sectorial, realizados para o Estado Português e para diversos Estados da CPLP.

As metodologias de análise, diagnóstico e acção desenvolvidas na SaeR relativas a esta problemática fundamentam-se sempre, e para além de uma atitude da maior e mais absoluta independência face a quaisquer tipos de interesses, em aprofundados estudos de caracterização da situação das realidades em presença, em avaliações comparativas com as condições de concorrência nos mercados globais a curto, médio e longo prazo e, fundamentalmente, com o objectivo de proporcionar aos países, regiões ou sectores em estudo, as melhores condições para a majoração da geração de valor que permita que se afirmem com solidez e de um modo independente e o mais estável e autónomo possível face às condições de adversidade que as naturais dinâmicas dos mercados globais criam sistematicamente.

Nesta perspectiva, a abordagem à componente regional e territorial assume um papel determinante, por quanto só a partir dessa base territorial é que se poderão afirmar as indispensáveis condições de identidade nacional, tendo por base não apenas a geografia, mas igualmente a caracterização cultural das populações e a própria especialização económica adoptada, para desse modo criar os mecanismos de diferenciação das ofertas de Valor oriundas desse território ou País, nomeadamente através da sua associação a produtos inovadores e a marcas próprias.

Educação Financeira em um País que desconhece o ensinamento de Juros e financiamento.

Já comentamso muitas vezes aqui no Economia Nacional e Mundial que não é de hoje que a questão da educação me incomoda.

Falo da educação formal, aquela do dia a dia na escola, das aulas, tarefas e convívio com professores e orientadores, mas também da educação do cidadão, a do respeito aos direitos dos outros, do tratamento educado e do exemplo familiar.

Convido o leitor a olhar para as escolas, professores e crianças de seu convívio.

Os professores são devidamente valorizados, preparados e motivados? Como as crianças se comportam quando na presença de outras crianças e adultos? Como vem sendo seu desempenho em disciplinas importantes como matemática, ciências e história? Como anda a gramática, seu vocabulário e capacidade de criar uma boa redação?

A relação entre professores, pais e alunos também requer reflexões profundas.

Quantas dessas crianças têm o hábito de ler, de gibis a livros? Quais são os exemplos dados pela família e tutores no sentido da construção do cidadão? O material didático e o programa pedagógico são adequados?

Suas respostas serão, provavelmente, as mesmas que já ouvi inúmeras vezes por ai: “A escola particular oferece boa educação, mas é cara.

A escola pública é acessível, mas também ineficiente, mal administrada e de péssima qualidade”. Pois é, como formar adultos mais conscientes em um cenário assim?

Prova ABC
O nosso sentimento ganhou um apoio estatístico. O grupo formado pelo Todos pela Educação, Instituto Paulo Montenegro/Ibope, Inep/MEC e Cesgranrio aplicou uma avaliação em 250 escolas, escolhidas por sorteio, durante o primeiro semestre deste ano.

A Prova ABC, como foi chamada, continha 20 questões de matemática e português e uma redação.

No total, 6.000 alunos que concluíram o 3º ano do ensino fundamental (antiga 2ª série), de escolas públicas e privadas, realizaram o teste. Para medir o desempenho dos alunos, os organizadores definiram 175 pontos como a pontuação mínima esperada para matemática e português e 75 pontos para a redação.

Os resultados assustam:

  • Na média, 56,1% dos alunos atingiram o desempenho esperado em português, 53,4% em redação e 42,8% em matemática;
  • Os resultados apenas da rede pública são lamentáveis. Apenas 48,6% dos alunos atingiram nota mínima em português. Os números então desabam: 43,9% dos alunos da rede pública atingiram a nota mínima na redação e 32,6% o fizeram no teste de matemática;
  • A rede particular atingiu 79% de alunos com pontuação mínima em português, 82,4% em redação e 74,3% em matemática;
  • As diferenças entre os acertos dos alunos de rede pública e privada se acentuam quando comparadas regiões diferentes do Brasil. No Sudeste, 81% dos alunos da rede particular atingiram o mínimo exigido em matemática. Na rede pública, o número caiu para 37%.

Abro espaço para um trecho do editorial da Folha de S. Paulo de domingo, 28 de agosto:

Confirma-se, é claro, a constatação de que o Brasil tarda a enfrentar o desafio que se segue ao processo, bem-sucedido, de universalização do ensino básico.

Garantido o acesso ao ensino fundamental, falta fazer com que se torne, de fato, ensino – Editorial “Tempo Perdido”, Folha de S. Paulo - 28/08/2011.


O que isso tem a ver com educação financeira?


Ora, pense como é grande o desafio de trabalhar conceitos importantes de negociação, cálculo de taxas de juros, comparação de preços e interpretação de contratos quando nossas crianças e jovens sequer são preparados para lidar com o troco do café e com a interpretação de um texto simples.

Como cidadãos, não adianta justificar a situação e simplesmente cruzar os braços. Podemos e devemos agir:

  • Não delegar apenas à escola as ações e exemplos de formação do cidadão permitirá a você criar laços duradouros com seus filhos e familiares. Mais do que citar e valorizar bons modelos, é preciso ser e agir como modelo ;
  • Agir mediante princípios e valores éticos absolutamente transparentes e sinceros deve ser a conduta básica do cidadão no dia a dia – e não um diferencial ou uma qualidade presente apenas em poucas pessoas;
  • Preocupar-se com a formação continuada e melhorada significa preparar-se para melhores oportunidades de trabalho, mantendo a empregabilidade em níveis elevados – atitude que traz aumento de renda, mais qualidade de vida e ascensão profissional.

A relação entre a qualidade do ensino e o potencial de uma nação, apesar de não ser clara para todos, existe e tem peso enorme no desenvolvimento e crescimento nacionais.

Como país, fomos corajosos e persistentes ao realizar importantes mudanças econômicas e políticas na nossa jovem democracia.

Que a educação receba a atenção que merece para que tudo o que conquistamos não seja apenas história, mas uma história de sucesso. Porque, lembre-se, queiramos ou não, somos parte dela; melhor que ela seja boa e que possamos contribuir.