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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Educação Financeira em um País que desconhece o ensinamento de Juros e financiamento.

Já comentamso muitas vezes aqui no Economia Nacional e Mundial que não é de hoje que a questão da educação me incomoda.

Falo da educação formal, aquela do dia a dia na escola, das aulas, tarefas e convívio com professores e orientadores, mas também da educação do cidadão, a do respeito aos direitos dos outros, do tratamento educado e do exemplo familiar.

Convido o leitor a olhar para as escolas, professores e crianças de seu convívio.

Os professores são devidamente valorizados, preparados e motivados? Como as crianças se comportam quando na presença de outras crianças e adultos? Como vem sendo seu desempenho em disciplinas importantes como matemática, ciências e história? Como anda a gramática, seu vocabulário e capacidade de criar uma boa redação?

A relação entre professores, pais e alunos também requer reflexões profundas.

Quantas dessas crianças têm o hábito de ler, de gibis a livros? Quais são os exemplos dados pela família e tutores no sentido da construção do cidadão? O material didático e o programa pedagógico são adequados?

Suas respostas serão, provavelmente, as mesmas que já ouvi inúmeras vezes por ai: “A escola particular oferece boa educação, mas é cara.

A escola pública é acessível, mas também ineficiente, mal administrada e de péssima qualidade”. Pois é, como formar adultos mais conscientes em um cenário assim?

Prova ABC
O nosso sentimento ganhou um apoio estatístico. O grupo formado pelo Todos pela Educação, Instituto Paulo Montenegro/Ibope, Inep/MEC e Cesgranrio aplicou uma avaliação em 250 escolas, escolhidas por sorteio, durante o primeiro semestre deste ano.

A Prova ABC, como foi chamada, continha 20 questões de matemática e português e uma redação.

No total, 6.000 alunos que concluíram o 3º ano do ensino fundamental (antiga 2ª série), de escolas públicas e privadas, realizaram o teste. Para medir o desempenho dos alunos, os organizadores definiram 175 pontos como a pontuação mínima esperada para matemática e português e 75 pontos para a redação.

Os resultados assustam:

  • Na média, 56,1% dos alunos atingiram o desempenho esperado em português, 53,4% em redação e 42,8% em matemática;
  • Os resultados apenas da rede pública são lamentáveis. Apenas 48,6% dos alunos atingiram nota mínima em português. Os números então desabam: 43,9% dos alunos da rede pública atingiram a nota mínima na redação e 32,6% o fizeram no teste de matemática;
  • A rede particular atingiu 79% de alunos com pontuação mínima em português, 82,4% em redação e 74,3% em matemática;
  • As diferenças entre os acertos dos alunos de rede pública e privada se acentuam quando comparadas regiões diferentes do Brasil. No Sudeste, 81% dos alunos da rede particular atingiram o mínimo exigido em matemática. Na rede pública, o número caiu para 37%.

Abro espaço para um trecho do editorial da Folha de S. Paulo de domingo, 28 de agosto:

Confirma-se, é claro, a constatação de que o Brasil tarda a enfrentar o desafio que se segue ao processo, bem-sucedido, de universalização do ensino básico.

Garantido o acesso ao ensino fundamental, falta fazer com que se torne, de fato, ensino – Editorial “Tempo Perdido”, Folha de S. Paulo - 28/08/2011.


O que isso tem a ver com educação financeira?


Ora, pense como é grande o desafio de trabalhar conceitos importantes de negociação, cálculo de taxas de juros, comparação de preços e interpretação de contratos quando nossas crianças e jovens sequer são preparados para lidar com o troco do café e com a interpretação de um texto simples.

Como cidadãos, não adianta justificar a situação e simplesmente cruzar os braços. Podemos e devemos agir:

  • Não delegar apenas à escola as ações e exemplos de formação do cidadão permitirá a você criar laços duradouros com seus filhos e familiares. Mais do que citar e valorizar bons modelos, é preciso ser e agir como modelo ;
  • Agir mediante princípios e valores éticos absolutamente transparentes e sinceros deve ser a conduta básica do cidadão no dia a dia – e não um diferencial ou uma qualidade presente apenas em poucas pessoas;
  • Preocupar-se com a formação continuada e melhorada significa preparar-se para melhores oportunidades de trabalho, mantendo a empregabilidade em níveis elevados – atitude que traz aumento de renda, mais qualidade de vida e ascensão profissional.

A relação entre a qualidade do ensino e o potencial de uma nação, apesar de não ser clara para todos, existe e tem peso enorme no desenvolvimento e crescimento nacionais.

Como país, fomos corajosos e persistentes ao realizar importantes mudanças econômicas e políticas na nossa jovem democracia.

Que a educação receba a atenção que merece para que tudo o que conquistamos não seja apenas história, mas uma história de sucesso. Porque, lembre-se, queiramos ou não, somos parte dela; melhor que ela seja boa e que possamos contribuir.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Economia: Bovespa segue cautela na Europa e cai abaixo de 55 mil.

O medo de uma crise mais profunda na Europa contaminou a bolsa brasileira nesta segunda-feira, em um dia de volume reduzido por causa do feriado no mercado norte-americano.

O Ibovespa recuou 2,71 por cento a 54.998 pontos. O giro financeiro do pregão foi de 3,3 bilhões de reais, menos da metade da média de 6,56 bilhões de reais no ano por causa do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

Com a forte queda, a segunda consecutiva, o Ibovespa já anulou boa parte da alta de quase 10 por cento das cinco sessões anteriores, quando a expectativa --posteriormente confirmada-- de um corte dos juros no Brasil estimulou ações de construtoras, varejistas e bancos.

Na opinião da chefe da área de gestão de fortunas da corretora Mirae Securities, Luciana Pazos, a queda desta sessão pode ter sido apenas uma realização de lucros após a forte alta da semana passada, mas é preciso aguardar a abertura do mercado norte-americano na terça-feira para ter mais segurança.

"A gente sabe que a bolsa brasileira é uma das mais baratas do mundo", afirmou Pazos.

"Mas, enquanto a gente tiver esse cenário tão ruim lá fora, é difícil apostar em uma recuperação aqui", concluiu.

O principal índice das ações europeias caiu mais de 4 por cento nesta segunda em meio à falta de progresso nas negociações entre Grécia, União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desembolso da próxima parcela da ajuda a Atenas.

Os outros pontos de tensão são Itália, onde o mercado desconfia cada vez mais da capacidade do governo de implementar as reformas fiscais, e a Alemanha, onde o partido da chanceler Angela Merkel demonstrou ter menor apoio popular ao perder votos em uma eleição regional no fim de semana.
Fonte: SÃO PAULO (Reuters).

Banco Mundial alterou a estimativa para o desempenho da economia da China novamente.

Novamente o Banco Mundial reviu outra vez a estimativa para o crescimento da economia chinesa em 2009, de 7,5% para 6,5%.

Foi a segunda vez que a entidade alterou a estimativa para o desempenho da economia da China. No fim do ano passado, previa expansão de 9,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) chinês.

Apesar de a economia chinesa ter sido afetada pela crise financeira internacional, está conseguindo resistir, notou o Banco Mundial.

A notícia foi conhecida depois de a instituição reduziu sua projeção para a economia mundial em 2009, que deve declinar 1,5% agora.

Em novembro de 2008, a expectativa era de ampliação de 1% para a economia global neste exercício.

As informações são da agência de notícias Xinhua.



domingo, 4 de setembro de 2011

Entenda como foi a reunião do Copom.

As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidem os rumos da inflação e o crescimento da economia brasileira, são secretas. Ninguém, além dos membros do Copom, pode acompanhar os encontros realizados por dois dias em duas salas diferentes na sede do BC, em Brasília.

A primeira parte da reunião, ocorrida na terça-feira, acontece em uma sala do oitavo andar do prédio do BC, onde os dirigentes começam a decidir a taxa básica de juros – a Selic, que baliza as taxas de juros praticadas pelo mercado.

A sala da segunda parte da reunião, que ocorre às quarta-feiras no 20º andar do BC, ainda é um segredo escondido a sete chaves – nunca foi fotografada.

Objetivos do Copom

Implementar a política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o “relatório de inflação”. Por lei, estes são os objetivos do Copom. Criado em 20 de junho de 1996, o comitê reúne-se oito vezes ao ano. Desde 21 de junho de 1999, com a implantação das metas para inflação, as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Reuniões e integrantes

Os encontros do Copom acontecem em dois dias: a primeira reunião às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito ao ano a partir de 2006.

Fazem parte do Copom o presidente do Banco Central, os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

No primeiro dia do encontro, também participam da sessão os chefes de cinco departamentos do Banco Central e o chefe da Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin). Também integram a primeira sessão três consultores e o secretário-executivo da Diretoria, o assessor de imprensa, o assessor especial e, sempre que convocados, outros chefes de departamento convidados a discorrer sobre assuntos de suas áreas.

Os chefes de departamento e o gerente-executivo apresentam uma análise da conjuntura econômica doméstica, com números sobre inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Ata do Copom

No segundo dia da reunião – que conta apenas com a participação dos membros fixos do Copom e do chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) -, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica apresentam alternativas para a taxa de juros e fazem recomendações sobre a política monetária.

Em seguida, os demais membros do Copom fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, é realizada a votação das propostas, com a definição da meta para a taxa Selic e o viés, quando houver.

As atas do encontro são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana posterior a cada reunião.

A cada trimestre (nos meses de março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica o Relatório de Inflação, com uma análise da conjuntura econômica e financeira do País, e apresenta suas projeções para a taxa de inflação.